Estava numa imensa fila do caixa do Itaú, esperando para sacar um dinheiro pra pagar a passagem. Alias, ela não entende por que colocam uns milhares de caixas eletrônicos, e apenas UM funciona! É uma puta sacanagem, mas enfim...Tava tão compenetrada nos seus pensamentos que encarou a fila sem muito estresse.
Ela olhou um homem bonito, um rapaz interessante. Ela precisava perguntar a alguém se aquela era a fila do Itaú MESMO, e ele era o último da fila. Ansiedade.
"E se ele me tratar mal porque sou feia e magra demais?"
"E se ele não me der atenção?"
"E se ele fingir que não ouviu, ou me responder acenando a cabeça, simplesmente?"
Esses e outros pensamentos que passam na sua cabeça perturbada e que os médicos insistem em dizer que é uma porra de transtorno de personalidade.
Afinal, o que é personalidade? Chega, pensamentos filosóficos só lhe trazem péssimas lembranças também, das discussões com aquele que não deve ser nomeado.
Enfim, voltando ao banco...Sim, todas as perguntas possíveis e impossíveis lhe passaram pela cabeça em questão de cinco segundos, e ela encarou seu medo e perguntou, quase que gritando e numa entonação um pouco broxante:
- Essa é...Você tá...na fila do Itaú? - foi o que ele ouviu.
A resposta. Era o momento de saber se sua reação, seu medo, tinha realmente valido a pena, ou se mais uma vez ela iria guardar uma rejeição na sua caixa de Pandora das decepções.
- Estou (um sorriso).
Alívio. Melhor do que nada, mas não estava satisfeita.
Dois minutos depois, ele se virou para ela, a encarou bem nos olhos e disse:
- Estão dizendo aqui na frente que o saque não está funcionando...
Seu coração disparou, e só o que ela pode dizer foi:
- Ah!
E saiu correndo, em direção a um caixa, em outro lugar, que ela conhecia. No meio do caminho, ficou pensando:
"Podia ter agradecido"
"Podia ter piscado"
"Podia ter cantado um homem pela primeira vez em sua vida, sem que ele precisasse tomar a iniciativa"
Mas essa de piscar já não era ela. Eram só vontades.
Chegou ao outro caixa conhecido. Lá ficou por alguns poucos segundo, a fila deste era minúscula. Logo que chegou sua vez, o rapaz interessante estava logo atrás na fila. Um aperto no coração novamente:
"Digo o que para ele?"
"O que eu diria? Pra quê?"
"Qual a chance dele me notar?"
"Ele não vai se lembrar de mim?"
"Posso falar: Viu só, aqui tá bem melhor que lá em cima né?" e dar a piscada"
De novo, não. Ela não era de piscadas. E chegou o momento de ir. E de novo, ela saiu sem nada dizer, apenas deu um sorriso contagiante para ele, que ficou com cara de quem não entendeu nada.
Ela saiu do banco e olhou as luzes iluminadas da cidade. Que noite bonita. E lá foi ela de volta ao trabalho resolver um pepino (nem tudo são rosas).
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