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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fim de um ciclo e começo de um novo



Existe um momento da vida de qualquer pessoa onde ela terá que lidar com a perda de uma pessoa que ela ama. Isso pode significar a morte ou a separação definitiva, mas nenhuma das duas é pior que a outra no sentido da dor que se sente.

Acordei de um pesadelo onde uma pessoa que eu gosto muito morria e voltava várias vezes. E eu sabia quando a pessoa voltava que ela voltaria a morrer, mas eu sempre falhava na tentativa de ajudá-la. E isso me perturbou durante o dia inteiro, senti uma angústia porque aquilo foi tão vívido, tão real, que eu me sentia culpada por tê-lo sonhado. Culpada por não ter salvo algo que não precisava nem ser salvo.

"Cada homem deve inventar o seu caminho" disse Sartre, mas o que seria do caminho de um homem sem outro homem para guiá-lo ou desviá-lo? Acredito que nós, seres humanos, temos um propósito de existir. Nada é por acaso. Não existe dor sem ferida, nem caos sem uma ordem a ser perturbada. Não existe um caminho sem um lugar aonde se chegar, uma estrada sem um destino a nos chamar. E é a partir daí que uma escolha pode mudar não uma só vida, mas toda uma história.

Nesse meu sonho, meu subconsciente tentava me dizer uma coisa: você não pode mudar o mundo. Não pode lutar contra as forças naturais e misteriosas do universo. Mas você pode controlar algo muito importante: você mesma.

Tentando interpretar passo a passo: a pessoa que morria voltava várias vezes, e eu sempre ficava angustiada sabendo que logo ela morreria de novo e toda a dor e sofrimento voltariam. Mas o que eu não via era que eu estava antecipando tudo isso e não aproveitava o momento que eu tinha com ela. E lá se ia ela morrer outra vez.

E é isso que prende a maioria das pessoas hoje em dia. As impede de prosseguir. Esse medo de viver e encarar as coisas de peito aberto não é nada fácil. Parafraseando novamente Sartre, "O homem se inventa a cada dia". É preciso estar preparado para qualquer coisa em qualquer tempo, mas não deixar a paranóia nos envolver.

É nos momentos mais difíceis da nossa vida que só poderemos contar com nós mesmos para superar. O momento onde a opinião do outro é importante, mas não é decisória. Onde decidimos que amar alguém é um complemento e não uma necessidade avassaladora. E conseguir isso se chama encontrar a felicidade.

Acho que hoje eu fechei um ciclo, meio que sem querer. Eu me desconectei de todas as pessoas que me faziam mal constantemente, seja direta ou indiretamente. Parei de esquentar minha cabeça com coisas que não fazem sentido, como remoer o passado ou tentar dar chance a coisas que definitivamente não devem acontecer.


Ame a si mesmo acima de tudo, e depois ame a quem te ama. É essa a fórmula da equação perfeita da vida.

sábado, 27 de agosto de 2011

Quando notamos o tempo...



Amanhã é aniversário da minha mãe. Mas esse ano é diferente de todos os outros: parece que o valor que eu tenho dado a essas coisas está aumentando muito. Hoje na psicóloga falei sobre meus dilemas em me achar pouco presente na vida da minha mãe, no quanto ela me ajuda e eu simplesmente não consigo entender o porquê dela se sacrificar tanto por mim. Acho que eu não tenho mesmo a mínima noção do que deve ser ter um filho.

Passei o dia todo trabalhando, depois fui sair com uns amigos e comprei coisas pra fazer um café da manhã para ela (afinal de contas, ela sempre é responsável por comprar coisas pra fazer no aniversário de todo mundo, esse ano realmente tá sendo diferente e eu quis dar essa surpresa a ela).

Querendo ou não, eu sou uma pesssoa muito apegada à minha família. Sempre foi meu porto seguro. Talvez seja por isso que nos meus momentos de angústia eu sinta que um pedaço de mim foi arrancado, porque esse porto seguro desaparece. Ninguém pode me salvar nesses momentos.

Minha mãe é a pessoa mais pura e doce que já conheci. Tenho uma admiração muito grande pela pessoa que ela é, pelo seu zelo com a nossa família e ainda sua sensibilidade para sempre florir nossa casa (literalmente). É o tipo de mãe que eu espero ser quando tiver meus filhos.

Hoje quando saí de casa, vi uma louça suja e cheia de gordura, aquilo me apertou o coração durante o resto do dia. Quando cheguei em casa, vi meu prato favorito arrumado em cima da mesa. Eu estou chorando ao escrever isso agora, mas não é de tristeza, mas de felicidade por tê-la na minha vida.

Há pequenas coisas que muita gente nunca dá valor na vida, ou só dá valor muito tarde. E eu me orgulho de notar essas coisas e poder fazer algo.

Agora estou olhando meu quadro branco de anotações: ela fez um desenho dela me dando um recado. Engraçado que eu olhei e pensei que ela tinha me desenhado, porque o desenho se parecia comigo. Mais engraçado ainda é que nunca tinha reparado que essas pequenas coisas originais e inesperadas são totalmente dela, e eu agora sei porque também sou assim.

É da mesma forma que posso explicar porque sou louca por romances, ou adoro ver uma casa limpa e organizada. Ou porque demonstro sentimentos por ações mais que por palavras, e porque eu sinto tanta compaixão e gratidão pelos outros.

Talvez eu seja realmente mais parecida com ela do que imaginava. E por isso que sinto toda essa intensidade e humanismo que ela tem. Obrigada mãe, por ter me feito um ser humano melhor do que jamais poderia ser sem você. Te amo muito.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Meus amados amigos livros



Tantos livros esperando para serem devorados...Meu coração dói ao ver meu velho Stephen King ainda não lido, quase desbotando na prateleira. Mas o que fazer quando se precisa fazer um TCC em três meses? Deixar de lado minha maior diversão: a leitura. É nela que viajo e deixo meus pensamentos fluirem como se a realidade não existisse. Como se eu fosse absorvida pela atmosfera das palavras, os sentimentos quase que se mesclam.


Cada livro é um mundo novo onde eu posso adentrar e vivenciar, sem precisar pedir licença. Posso estar apenas observando, mas posso também atuar julgando, sentindo e sofrendo (ou amando).


Quando entro numa livraria, meu coração enche de uma alegria incompreensível para quem tá de fora: um monte de mundos interessantes a serem explorados, esperando que eu os leve pra casa e os leia quase que obsessivamente. E eu levo muitos, não consigo passar por essas livrarias e não comprar ao menos um livro. É a minha compulsão mais forte. Meu calcanhar de Aquiles.


O prazer de comprá-los é inenarrável. Ter posse do livro, caminhar com ele até em casa, folhear suas páginas e sentir sua textura...aquele cheirinho de livro novo...

Não existe tablet que irá tirar esse romantismo pelos livros de mim.

sábado, 20 de agosto de 2011

Olhos de Maracaípe


Eu olhava para a janela e via pequenas estrelas
Com as quais eu costumava me comunicar

Durante minhas incontáveis tormentas

Até que um dia parei de vê-las
Sem notar, me esqueci completamente delas
Pois que em tão profundo e sombrio leito

Eu reposara a torto e direito

Meus dias não existiam como tais
Minhas noites eram longos monólogos
Minhas cicatrizes ardiam
Sob a chuva eu sentia o desprazer de não sentir

A última imagem daquele já me era difusa
O sangue já estava estancado no peito
Apesar da dor que sentia lá dentro pelo golpe
Eu nutria amores por um belo sujeito

Nos seus olhos verdes cor de Maracaípe
Encontrei meu novo interlocutor de dilemas
Que deu lugar às pequenas estrelas
Para que meus problemas virassem poemas

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cet obscur objet du désir

Após a conversa, Nina saiu da mesa de jantar, partindo desesperadamente para o seu quarto, refúgio aonde se infiltrava ultimamente para se asfixiar em lágrimas. Mais uma crise, mais um momento onde só ela podia se salvar. Mas ela realmente queria isso? Por que se salvar? Para que? Vozes, infinitas, vinham lhe perturbar. Todas falando ao mesmo tempo, numa força que ela jamais pensaria suportar. Ela se contorcia na cama, num choro interno e agonizante.

"Você perdeu todo seu tempo com futilidade"
"Eu te amo, nunca mais vou te deixar na minha vida, nunca"
"Tenha paciência"
"O medicamento vai te ajudar, confia em mim"
"Levanta, pára de se fazer de vítima"
"Você está sozinha, ninguém te entende."
"Eu não aguento mais, todo dia é a mesma coisa, essa menina não toma jeito"
"Você não vai mudar enquanto não parar de sentir pena de si mesma"
"Arranhe mais forte, isso é tudo que você consegue?"
"Não há espaço pra você neste mundo"

Seu choro surdo se tornou então soluçante, gritando e cortando o ar. Nocauteando todas as feridas do peito e arranhando a garganta, na tentativa vaga de estourar as cordas vocais e aliviar a dor da alma.

Pensou em finalmente acabar com tudo de vez. Não ter mais que chorar, não ter mais que sofrer, não ter mais que se levantar para viver mais um dia de tortura. Ela se via sem saída, sem esperanças, sem sentido. Fechou os olhos e planejou ficar assim até a eternidade: não iria mais comer, levantar, nem fazer mais nada. Só ficar deitada ali, sozinha, alheia.

Sobre suas costas, a mão da pessoa que ela mais amava pousou. Viu em seu rosto a preocupação. A vontade de ajudar e a incapacidade. Uma pessoa que pegaria pra si, sem pensar duas vezes, todo o sofrimento de Nina. Aquele rosto tão bonito e sofrido, daquela que só queria seu bem. Nina também lhe queria muito bem, a amava tanto que seu coração se destroçava quando pensava na possibilidade de fazê-la sofrer.

"Se você me deixar, não sei o que será de mim" lia-se no rosto dela.

Nina olhou no fundo dos olhos da mãe e sentiu um aperto no peito. Ela não tinha mais aquele sentimento de júbilo e segurança que sentia com sua mãe, sua mente lhe roubou isso. Parece irônico, algo que faz parte da gente e ao mesmo tempo, pode controlar a gente de uma forma auto-destrutiva.

Mas, como aontece as vezes na vida, não se sabe como nem porque, mas o amor naquele coração de mãe foi capaz de salvá-la de todas as sombras que a impediam de ver uma luz no horizonte. E foi a partir das cinzas de uma casa destruída que Nina recomeçou a reconstruir lentamente a sua vida.

Não foi fácil. Cada dia era um tijolo a ser colocado no grande vão que era o terreno da sua alma. A casa ainda não tinha cor, os móveis já estavam lá, mas não se podia usá-los. Sua ansiedade em poder desfrutar da casa era imensa, mas ao mesmo tempo, ela sentia que nunca chegaria a vê-la pronta um dia. Talvez passasse a vida toda a tentar construir, e lhe faltasse moradores.

Isso não importava mais. A vida era um grande presente, e ela já tinha provado a si mesma que era possível destruir muitos medos. Tudo dependia dela, e agora ela tinha um sentido pra se reerguer.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

The first day...when I breathe again



Medo de acordar amanhã e tudo ter sido um sonho. Mas era como se estivesse ali o tempo todo, enjaulando, esse sentimento. "O que mudou pra você mudar?" ele perguntou.

Eu não sabia responder. Não seriam as conversas com ninguém. Talvez as pílulas. Talvez o tempo. Talvez tudo junto.

Ou poderia ser um pedido. Ele abriu meus olhos e me mostrou:

"Vide a mim espíritos iluminados" e tudo ficou tão calmo aqui dentro.

Como um lago no meio de um vale.

Não sinto sua presença aqui do meu lado, como sinto o toque do rapaz no ônibus, ou um tapa nas costas do colega. Mas sinto que algo sempre me leva à direção certa.

Mas continuo com medo do amanhã...Esse, nunca me abandonará.