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sábado, 27 de agosto de 2011

Quando notamos o tempo...



Amanhã é aniversário da minha mãe. Mas esse ano é diferente de todos os outros: parece que o valor que eu tenho dado a essas coisas está aumentando muito. Hoje na psicóloga falei sobre meus dilemas em me achar pouco presente na vida da minha mãe, no quanto ela me ajuda e eu simplesmente não consigo entender o porquê dela se sacrificar tanto por mim. Acho que eu não tenho mesmo a mínima noção do que deve ser ter um filho.

Passei o dia todo trabalhando, depois fui sair com uns amigos e comprei coisas pra fazer um café da manhã para ela (afinal de contas, ela sempre é responsável por comprar coisas pra fazer no aniversário de todo mundo, esse ano realmente tá sendo diferente e eu quis dar essa surpresa a ela).

Querendo ou não, eu sou uma pesssoa muito apegada à minha família. Sempre foi meu porto seguro. Talvez seja por isso que nos meus momentos de angústia eu sinta que um pedaço de mim foi arrancado, porque esse porto seguro desaparece. Ninguém pode me salvar nesses momentos.

Minha mãe é a pessoa mais pura e doce que já conheci. Tenho uma admiração muito grande pela pessoa que ela é, pelo seu zelo com a nossa família e ainda sua sensibilidade para sempre florir nossa casa (literalmente). É o tipo de mãe que eu espero ser quando tiver meus filhos.

Hoje quando saí de casa, vi uma louça suja e cheia de gordura, aquilo me apertou o coração durante o resto do dia. Quando cheguei em casa, vi meu prato favorito arrumado em cima da mesa. Eu estou chorando ao escrever isso agora, mas não é de tristeza, mas de felicidade por tê-la na minha vida.

Há pequenas coisas que muita gente nunca dá valor na vida, ou só dá valor muito tarde. E eu me orgulho de notar essas coisas e poder fazer algo.

Agora estou olhando meu quadro branco de anotações: ela fez um desenho dela me dando um recado. Engraçado que eu olhei e pensei que ela tinha me desenhado, porque o desenho se parecia comigo. Mais engraçado ainda é que nunca tinha reparado que essas pequenas coisas originais e inesperadas são totalmente dela, e eu agora sei porque também sou assim.

É da mesma forma que posso explicar porque sou louca por romances, ou adoro ver uma casa limpa e organizada. Ou porque demonstro sentimentos por ações mais que por palavras, e porque eu sinto tanta compaixão e gratidão pelos outros.

Talvez eu seja realmente mais parecida com ela do que imaginava. E por isso que sinto toda essa intensidade e humanismo que ela tem. Obrigada mãe, por ter me feito um ser humano melhor do que jamais poderia ser sem você. Te amo muito.

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