terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Cet obscur objet du désir
Após a conversa, Nina saiu da mesa de jantar, partindo desesperadamente para o seu quarto, refúgio aonde se infiltrava ultimamente para se asfixiar em lágrimas. Mais uma crise, mais um momento onde só ela podia se salvar. Mas ela realmente queria isso? Por que se salvar? Para que? Vozes, infinitas, vinham lhe perturbar. Todas falando ao mesmo tempo, numa força que ela jamais pensaria suportar. Ela se contorcia na cama, num choro interno e agonizante.
"Você perdeu todo seu tempo com futilidade"
"Eu te amo, nunca mais vou te deixar na minha vida, nunca"
"Tenha paciência"
"O medicamento vai te ajudar, confia em mim"
"Levanta, pára de se fazer de vítima"
"Você está sozinha, ninguém te entende."
"Eu não aguento mais, todo dia é a mesma coisa, essa menina não toma jeito"
"Você não vai mudar enquanto não parar de sentir pena de si mesma"
"Arranhe mais forte, isso é tudo que você consegue?"
"Não há espaço pra você neste mundo"
Seu choro surdo se tornou então soluçante, gritando e cortando o ar. Nocauteando todas as feridas do peito e arranhando a garganta, na tentativa vaga de estourar as cordas vocais e aliviar a dor da alma.
Pensou em finalmente acabar com tudo de vez. Não ter mais que chorar, não ter mais que sofrer, não ter mais que se levantar para viver mais um dia de tortura. Ela se via sem saída, sem esperanças, sem sentido. Fechou os olhos e planejou ficar assim até a eternidade: não iria mais comer, levantar, nem fazer mais nada. Só ficar deitada ali, sozinha, alheia.
Sobre suas costas, a mão da pessoa que ela mais amava pousou. Viu em seu rosto a preocupação. A vontade de ajudar e a incapacidade. Uma pessoa que pegaria pra si, sem pensar duas vezes, todo o sofrimento de Nina. Aquele rosto tão bonito e sofrido, daquela que só queria seu bem. Nina também lhe queria muito bem, a amava tanto que seu coração se destroçava quando pensava na possibilidade de fazê-la sofrer.
"Se você me deixar, não sei o que será de mim" lia-se no rosto dela.
Nina olhou no fundo dos olhos da mãe e sentiu um aperto no peito. Ela não tinha mais aquele sentimento de júbilo e segurança que sentia com sua mãe, sua mente lhe roubou isso. Parece irônico, algo que faz parte da gente e ao mesmo tempo, pode controlar a gente de uma forma auto-destrutiva.
Mas, como aontece as vezes na vida, não se sabe como nem porque, mas o amor naquele coração de mãe foi capaz de salvá-la de todas as sombras que a impediam de ver uma luz no horizonte. E foi a partir das cinzas de uma casa destruída que Nina recomeçou a reconstruir lentamente a sua vida.
Não foi fácil. Cada dia era um tijolo a ser colocado no grande vão que era o terreno da sua alma. A casa ainda não tinha cor, os móveis já estavam lá, mas não se podia usá-los. Sua ansiedade em poder desfrutar da casa era imensa, mas ao mesmo tempo, ela sentia que nunca chegaria a vê-la pronta um dia. Talvez passasse a vida toda a tentar construir, e lhe faltasse moradores.
Isso não importava mais. A vida era um grande presente, e ela já tinha provado a si mesma que era possível destruir muitos medos. Tudo dependia dela, e agora ela tinha um sentido pra se reerguer.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
The first day...when I breathe again

Medo de acordar amanhã e tudo ter sido um sonho. Mas era como se estivesse ali o tempo todo, enjaulando, esse sentimento. "O que mudou pra você mudar?" ele perguntou.
Eu não sabia responder. Não seriam as conversas com ninguém. Talvez as pílulas. Talvez o tempo. Talvez tudo junto.
Ou poderia ser um pedido. Ele abriu meus olhos e me mostrou:
"Vide a mim espíritos iluminados" e tudo ficou tão calmo aqui dentro.
Como um lago no meio de um vale.
Não sinto sua presença aqui do meu lado, como sinto o toque do rapaz no ônibus, ou um tapa nas costas do colega. Mas sinto que algo sempre me leva à direção certa.
Mas continuo com medo do amanhã...Esse, nunca me abandonará.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Fiona Apple understand me
Uma alma entrecortada. Uma dor dilacerante impossível de prever e controlar. Numa fração de segundos, um pânico, uma sensação de irrealidade se apossa. Ela está fora de seu corpo, ou então sente que é um objeto no meio de meros espectros, como o Show de Truman. Ela precisa se beliscar a cada segundo pra confirmar que está viva.
Numa dessas, ela teve vontade de se jogar em meio aos queijos e presuntos no supermercado, pra que alguém a ajudasse. "Parem o show" gritariam, e assim todo mundo sairia de trás das câmeras, a realidade surgiria a seus olhos, tudo seria diferente. Inclusive a dor que ela sente, seria retirada com uma seringa de sua veia, ela sentiria um alívio instantâneo. Mas ela sabia que não era assim que as coisas funcionavam, e que o caminho não era esse. Ela precisava aceitar que aquilo era real, que tudo que é o que parece e que no meio dos destroços, sempre há vida.
E é isso que ela quer agora, achar essa vida.
Não era a mesma coisa que antigamente fazer compras. Ela ergueu a cabeça e foi ao caixa pagar, afinal, ela estava disposta a fazer o sanduiche e mudar sua vida.
Para os vizinhos ela sorria, mas era só chegar na escada e desabava a chorar, e isso a aliviava.
Seria mais fácil gravar seus pensamentos, daria um livro. Escrevê-los é mais tortuoso, porque quando ela sente, ela não quer escrever. E quando está bem, ela quer e não consegue.
O paradigma da literatura, pois não.
Será que seu coração sangra como ela sente? Pois é como se fosse...ela olha para eles na rua e não sente nada, aquela euforia deu adeus e tá fazendo falta. Saudades dela mesma.
Já que ela não pode ser feliz, ela quer fazer feliz a quem ama. Arruma a casa e coloca flores na mesa da cozinha. Sua mãe ri, acha graça de sua filha prendada. E a filha sente uma pontinha de alegria ao saber que fez uma das pessoas que mais ama no mundo ter um momento de pura e sincera felicidade.
Lágrimas rolam de seus olhos...Ela um dia sentirá isso de novo, e tudo voltará a ser como antes. Não importa o que lhe digam, ela é uma menina iluminada, suas palavras serão lidas, mas ela não viverá disso. Viverá da paz que finalmente vai brotar na sua alma assim que tudo que tiver de ser dito for dito. E aí sim ela vai experimentar a verdadeira felicidade da qual perdeu esperanças. E vai viver a realidade da forma como ela é, sem mais querer fugir dela...
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Cidade bonita.
Estava numa imensa fila do caixa do Itaú, esperando para sacar um dinheiro pra pagar a passagem. Alias, ela não entende por que colocam uns milhares de caixas eletrônicos, e apenas UM funciona! É uma puta sacanagem, mas enfim...Tava tão compenetrada nos seus pensamentos que encarou a fila sem muito estresse.
Ela olhou um homem bonito, um rapaz interessante. Ela precisava perguntar a alguém se aquela era a fila do Itaú MESMO, e ele era o último da fila. Ansiedade.
"E se ele me tratar mal porque sou feia e magra demais?"
"E se ele não me der atenção?"
"E se ele fingir que não ouviu, ou me responder acenando a cabeça, simplesmente?"
Esses e outros pensamentos que passam na sua cabeça perturbada e que os médicos insistem em dizer que é uma porra de transtorno de personalidade.
Afinal, o que é personalidade? Chega, pensamentos filosóficos só lhe trazem péssimas lembranças também, das discussões com aquele que não deve ser nomeado.
Enfim, voltando ao banco...Sim, todas as perguntas possíveis e impossíveis lhe passaram pela cabeça em questão de cinco segundos, e ela encarou seu medo e perguntou, quase que gritando e numa entonação um pouco broxante:
- Essa é...Você tá...na fila do Itaú? - foi o que ele ouviu.
A resposta. Era o momento de saber se sua reação, seu medo, tinha realmente valido a pena, ou se mais uma vez ela iria guardar uma rejeição na sua caixa de Pandora das decepções.
- Estou (um sorriso).
Alívio. Melhor do que nada, mas não estava satisfeita.
Dois minutos depois, ele se virou para ela, a encarou bem nos olhos e disse:
- Estão dizendo aqui na frente que o saque não está funcionando...
Seu coração disparou, e só o que ela pode dizer foi:
- Ah!
E saiu correndo, em direção a um caixa, em outro lugar, que ela conhecia. No meio do caminho, ficou pensando:
"Podia ter agradecido"
"Podia ter piscado"
"Podia ter cantado um homem pela primeira vez em sua vida, sem que ele precisasse tomar a iniciativa"
Mas essa de piscar já não era ela. Eram só vontades.
Chegou ao outro caixa conhecido. Lá ficou por alguns poucos segundo, a fila deste era minúscula. Logo que chegou sua vez, o rapaz interessante estava logo atrás na fila. Um aperto no coração novamente:
"Digo o que para ele?"
"O que eu diria? Pra quê?"
"Qual a chance dele me notar?"
"Ele não vai se lembrar de mim?"
"Posso falar: Viu só, aqui tá bem melhor que lá em cima né?" e dar a piscada"
De novo, não. Ela não era de piscadas. E chegou o momento de ir. E de novo, ela saiu sem nada dizer, apenas deu um sorriso contagiante para ele, que ficou com cara de quem não entendeu nada.
Ela saiu do banco e olhou as luzes iluminadas da cidade. Que noite bonita. E lá foi ela de volta ao trabalho resolver um pepino (nem tudo são rosas).
Ela olhou um homem bonito, um rapaz interessante. Ela precisava perguntar a alguém se aquela era a fila do Itaú MESMO, e ele era o último da fila. Ansiedade.
"E se ele me tratar mal porque sou feia e magra demais?"
"E se ele não me der atenção?"
"E se ele fingir que não ouviu, ou me responder acenando a cabeça, simplesmente?"
Esses e outros pensamentos que passam na sua cabeça perturbada e que os médicos insistem em dizer que é uma porra de transtorno de personalidade.
Afinal, o que é personalidade? Chega, pensamentos filosóficos só lhe trazem péssimas lembranças também, das discussões com aquele que não deve ser nomeado.
Enfim, voltando ao banco...Sim, todas as perguntas possíveis e impossíveis lhe passaram pela cabeça em questão de cinco segundos, e ela encarou seu medo e perguntou, quase que gritando e numa entonação um pouco broxante:
- Essa é...Você tá...na fila do Itaú? - foi o que ele ouviu.
A resposta. Era o momento de saber se sua reação, seu medo, tinha realmente valido a pena, ou se mais uma vez ela iria guardar uma rejeição na sua caixa de Pandora das decepções.
- Estou (um sorriso).
Alívio. Melhor do que nada, mas não estava satisfeita.
Dois minutos depois, ele se virou para ela, a encarou bem nos olhos e disse:
- Estão dizendo aqui na frente que o saque não está funcionando...
Seu coração disparou, e só o que ela pode dizer foi:
- Ah!
E saiu correndo, em direção a um caixa, em outro lugar, que ela conhecia. No meio do caminho, ficou pensando:
"Podia ter agradecido"
"Podia ter piscado"
"Podia ter cantado um homem pela primeira vez em sua vida, sem que ele precisasse tomar a iniciativa"
Mas essa de piscar já não era ela. Eram só vontades.
Chegou ao outro caixa conhecido. Lá ficou por alguns poucos segundo, a fila deste era minúscula. Logo que chegou sua vez, o rapaz interessante estava logo atrás na fila. Um aperto no coração novamente:
"Digo o que para ele?"
"O que eu diria? Pra quê?"
"Qual a chance dele me notar?"
"Ele não vai se lembrar de mim?"
"Posso falar: Viu só, aqui tá bem melhor que lá em cima né?" e dar a piscada"
De novo, não. Ela não era de piscadas. E chegou o momento de ir. E de novo, ela saiu sem nada dizer, apenas deu um sorriso contagiante para ele, que ficou com cara de quem não entendeu nada.
Ela saiu do banco e olhou as luzes iluminadas da cidade. Que noite bonita. E lá foi ela de volta ao trabalho resolver um pepino (nem tudo são rosas).
domingo, 3 de julho de 2011
Sweet dreams are made of these
Some of them want to use you
Some of the them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused
Esse sentimento de querer ajudar sempre os outros, é algo que ela não pode conter. Talvez seja por não poder ajudar a si mesma, ajudar o outro é sempre mais fácil. Sempre.
Ou melhor: talvez a esperança de que haja alguém no mundo igual a ela, que a ajude sem querer nada em troca. Acho que ela perdeu essa também...
Sempre disposta a ouvir e aconselhar, mas ninguém tem coragem de mexer nas suas feridas.
Vontade de gritar, de fugir, de correr.
Tanto sentimento acumulado. Tanta culpa por nada. Justamente por não fazer nada.
Ela se culpa pelo erro dos outros e os outros não querem sequer ouví-la. Muito louca para ficar aqui perto dos outros, mas sã demais pra fugir.
Ela tem uma grande missão, e ela quer cumprí-la. Mas as vezes pensa no porquê disso.
E ela espera sentada no seu quarto, por cima de lágrimas e alguns arranhões, uma ligação que vai salvá-la. Mas sabe ela que ninguém se importa.
Às três horas, alguém lhe estende a mão. Às oito, lhe viram as costas e a mandam à merda.
Palavras são duras. Elas afetam profundamente, mais do que um ferro em brasa na pele. Quando pequena, ela preferia apanhar a ouvir gritarem com ela. As vezes se batia quando se sentia mal. Mas ela não é insana.
Some of the them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused
Esse sentimento de querer ajudar sempre os outros, é algo que ela não pode conter. Talvez seja por não poder ajudar a si mesma, ajudar o outro é sempre mais fácil. Sempre.
Ou melhor: talvez a esperança de que haja alguém no mundo igual a ela, que a ajude sem querer nada em troca. Acho que ela perdeu essa também...
Sempre disposta a ouvir e aconselhar, mas ninguém tem coragem de mexer nas suas feridas.
Vontade de gritar, de fugir, de correr.
Tanto sentimento acumulado. Tanta culpa por nada. Justamente por não fazer nada.
Ela se culpa pelo erro dos outros e os outros não querem sequer ouví-la. Muito louca para ficar aqui perto dos outros, mas sã demais pra fugir.
Ela tem uma grande missão, e ela quer cumprí-la. Mas as vezes pensa no porquê disso.
E ela espera sentada no seu quarto, por cima de lágrimas e alguns arranhões, uma ligação que vai salvá-la. Mas sabe ela que ninguém se importa.
Às três horas, alguém lhe estende a mão. Às oito, lhe viram as costas e a mandam à merda.
Palavras são duras. Elas afetam profundamente, mais do que um ferro em brasa na pele. Quando pequena, ela preferia apanhar a ouvir gritarem com ela. As vezes se batia quando se sentia mal. Mas ela não é insana.
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