Páginas

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fiona Apple understand me


Uma alma entrecortada. Uma dor dilacerante impossível de prever e controlar. Numa fração de segundos, um pânico, uma sensação de irrealidade se apossa. Ela está fora de seu corpo, ou então sente que é um objeto no meio de meros espectros, como o Show de Truman. Ela precisa se beliscar a cada segundo pra confirmar que está viva.

Numa dessas, ela teve vontade de se jogar em meio aos queijos e presuntos no supermercado, pra que alguém a ajudasse. "Parem o show" gritariam, e assim todo mundo sairia de trás das câmeras, a realidade surgiria a seus olhos, tudo seria diferente. Inclusive a dor que ela sente, seria retirada com uma seringa de sua veia, ela sentiria um alívio instantâneo. Mas ela sabia que não era assim que as coisas funcionavam, e que o caminho não era esse. Ela precisava aceitar que aquilo era real, que tudo que é o que parece e que no meio dos destroços, sempre há vida.

E é isso que ela quer agora, achar essa vida.

Não era a mesma coisa que antigamente fazer compras. Ela ergueu a cabeça e foi ao caixa pagar, afinal, ela estava disposta a fazer o sanduiche e mudar sua vida.
Para os vizinhos ela sorria, mas era só chegar na escada e desabava a chorar, e isso a aliviava.
Seria mais fácil gravar seus pensamentos, daria um livro. Escrevê-los é mais tortuoso, porque quando ela sente, ela não quer escrever. E quando está bem, ela quer e não consegue.
O paradigma da literatura, pois não.
Será que seu coração sangra como ela sente? Pois é como se fosse...ela olha para eles na rua e não sente nada, aquela euforia deu adeus e tá fazendo falta. Saudades dela mesma.
Já que ela não pode ser feliz, ela quer fazer feliz a quem ama. Arruma a casa e coloca flores na mesa da cozinha. Sua mãe ri, acha graça de sua filha prendada. E a filha sente uma pontinha de alegria ao saber que fez uma das pessoas que mais ama no mundo ter um momento de pura e sincera felicidade.
Lágrimas rolam de seus olhos...Ela um dia sentirá isso de novo, e tudo voltará a ser como antes. Não importa o que lhe digam, ela é uma menina iluminada, suas palavras serão lidas, mas ela não viverá disso. Viverá da paz que finalmente vai brotar na sua alma assim que tudo que tiver de ser dito for dito. E aí sim ela vai experimentar a verdadeira felicidade da qual perdeu esperanças. E vai viver a realidade da forma como ela é, sem mais querer fugir dela...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cidade bonita.

Estava numa imensa fila do caixa do Itaú, esperando para sacar um dinheiro pra pagar a passagem. Alias, ela não entende por que colocam uns milhares de caixas eletrônicos, e apenas UM funciona! É uma puta sacanagem, mas enfim...Tava tão compenetrada nos seus pensamentos que encarou a fila sem muito estresse.
Ela olhou um homem bonito, um rapaz interessante. Ela precisava perguntar a alguém se aquela era a fila do Itaú MESMO, e ele era o último da fila. Ansiedade.
"E se ele me tratar mal porque sou feia e magra demais?"
"E se ele não me der atenção?"
"E se ele fingir que não ouviu, ou me responder acenando a cabeça, simplesmente?"

Esses e outros pensamentos que passam na sua cabeça perturbada e que os médicos insistem em dizer que é uma porra de transtorno de personalidade.

Afinal, o que é personalidade? Chega, pensamentos filosóficos só lhe trazem péssimas lembranças também, das discussões com aquele que não deve ser nomeado.

Enfim, voltando ao banco...Sim, todas as perguntas possíveis e impossíveis lhe passaram pela cabeça em questão de cinco segundos, e ela encarou seu medo e perguntou, quase que gritando e numa entonação um pouco broxante:

- Essa é...Você tá...na fila do Itaú? - foi o que ele ouviu.

A resposta. Era o momento de saber se sua reação, seu medo, tinha realmente valido a pena, ou se mais uma vez ela iria guardar uma rejeição na sua caixa de Pandora das decepções.

- Estou (um sorriso).

Alívio. Melhor do que nada, mas não estava satisfeita.
Dois minutos depois, ele se virou para ela, a encarou bem nos olhos e disse:

- Estão dizendo aqui na frente que o saque não está funcionando...

Seu coração disparou, e só o que ela pode dizer foi:

- Ah!

E saiu correndo, em direção a um caixa, em outro lugar, que ela conhecia. No meio do caminho, ficou pensando:

"Podia ter agradecido"
"Podia ter piscado"
"Podia ter cantado um homem pela primeira vez em sua vida, sem que ele precisasse tomar a iniciativa"

Mas essa de piscar já não era ela. Eram só vontades.

Chegou ao outro caixa conhecido. Lá ficou por alguns poucos segundo, a fila deste era minúscula. Logo que chegou sua vez, o rapaz interessante estava logo atrás na fila. Um aperto no coração novamente:

"Digo o que para ele?"
"O que eu diria? Pra quê?"
"Qual a chance dele me notar?"
"Ele não vai se lembrar de mim?"
"Posso falar: Viu só, aqui tá bem melhor que lá em cima né?" e dar a piscada"

De novo, não. Ela não era de piscadas. E chegou o momento de ir. E de novo, ela saiu sem nada dizer, apenas deu um sorriso contagiante para ele, que ficou com cara de quem não entendeu nada.

Ela saiu do banco e olhou as luzes iluminadas da cidade. Que noite bonita. E lá foi ela de volta ao trabalho resolver um pepino (nem tudo são rosas).

domingo, 3 de julho de 2011

Sweet dreams are made of these

Some of them want to use you
Some of the them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused


Esse sentimento de querer ajudar sempre os outros, é algo que ela não pode conter. Talvez seja por não poder ajudar a si mesma, ajudar o outro é sempre mais fácil. Sempre.

Ou melhor: talvez a esperança de que haja alguém no mundo igual a ela, que a ajude sem querer nada em troca. Acho que ela perdeu essa também...

Sempre disposta a ouvir e aconselhar, mas ninguém tem coragem de mexer nas suas feridas.

Vontade de gritar, de fugir, de correr.

Tanto sentimento acumulado. Tanta culpa por nada. Justamente por não fazer nada.

Ela se culpa pelo erro dos outros e os outros não querem sequer ouví-la. Muito louca para ficar aqui perto dos outros, mas sã demais pra fugir.

Ela tem uma grande missão, e ela quer cumprí-la. Mas as vezes pensa no porquê disso.

E ela espera sentada no seu quarto, por cima de lágrimas e alguns arranhões, uma ligação que vai salvá-la. Mas sabe ela que ninguém se importa.

Às três horas, alguém lhe estende a mão. Às oito, lhe viram as costas e a mandam à merda.

Palavras são duras. Elas afetam profundamente, mais do que um ferro em brasa na pele. Quando pequena, ela preferia apanhar a ouvir gritarem com ela. As vezes se batia quando se sentia mal. Mas ela não é insana.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Aguenta firme.

Achava o clipe dessa música tosco (só via pq achava o guitarrista gato, eu era bem fútil na adolescência). Mas eu parei pra ver hoje a letra e o clipe, e eu me arrepiei, especialmente na parte em que a mulher lá tá falando sobre o filho que tinha se suicidado e que falou a ela, antes de se matar: "Te vejo na segunda..." . Até hoje ela espera toda segunda. Sério, chorei muito nessa parte. Acho que tô meio emo, não? rs

Mensagem especial para uma pessoa especial. Aguenta firme, porque "we all bleed the same way as you do". Por favor.

Hold On - Good Charlotte

This world, this world is cold
But you don't, you don't have to go
You're feeling sad you're feeling lonely
And no one seems to care
Your mother's gone and your father hits you
This pain you cannot bare

But we all bleed the same way as you do
And we all have the same things to go through

Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know

Your days you say they're way too long
And your nights you can't sleep at all (hold on)
And you're not sure what you're waiting for
But you don't want to no more
And you're not sure what you're looking forbut you don't want to no more

But we all bleed the same way as you do
And we all have the same things to go through

Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know

Don't stop looking you're one step closer
Don't stop searching it's not over...hold on

What are you looking for?
What are you waiting for?
Do you know what you're doing to me?
Go ahead...what are you waiting for?

Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know

Don't stop looking you're one step closer
Don't stop searching it's not over...

Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know...hold on

Tem amores que são para sempre

Ontem estava com uns amigos e a gente tava conversando sobre pessoas que nos fizeram mal. Eu não me senti mal ao vasculhar algumas coisas do passado, que poderiam muito bem me derrubar em outros tempos. Eu tava tão feliz, uma felicidade que há muito tempo eu não experimentava, que eu senti que tudo aquilo que passei de ruim não fazia mais parte de mim, e hoje eu posso destrinchar e até cutucar a ferida, porque ela já cicatrizou. E falei para a minha amiga: "Está tudo bem, pode falar sobre isso. Isso não me afeta mais". Fui sincera. Tinha a certeza, pela primeira vez, de que era verdade.

No dia seguinte fiz almoço, e tudo estava bem. Parecia estar.

Uma pessoa que eu admiro muito me magoou, não quero falar sobre isso. A casa caiu, e dessa vez não foi uma parede, foi a casa toda.

Eu me descabelei por algumas horas, e não quero comentar sobre o meu surto, mesmo porque não tô escrevendo isso pra me vitimizar nem chocar ninguém.

Enfim, eu não queria de jeito nenhum sair de casa, mas eu precisava.

Tinha um trabalho, uma filmagem importantíssima na faculdade, valendo nota.
Estava acabada de tanto chorar e etc...preparada com o celular na mão pra ligar pra uma amiga dizendo que não ia pra faculdade, pois não estava bem.

Até que...uma hora me caiu a ficha do quanto eu amo essa pessoa que me magoou, amo demais. Um amor além dessa vida (parece brega, mas é o que sinto), que apesar de qualquer briga, nunca vai acabar. E eu sei com toda certeza o quanto ela me ama também, apesar de tudo que eu fiz ela passar com todos os meus problemas. Apesar das coisas horríveis que ela me disse, eu senti o seu arrependimento em seu olhar e meu inconsciente perdoou ela instantaneamente.

Peguei minha roupa, tomei um bom banho e fui pra faculdade. Lá, eu esqueci de todos os problemas: ri muito, relaxei e realizei meus compromissos de forma honrosa.

Voltei pra casa bem, mas ainda não conversei com a pessoa. Espero que um dia as coisas voltem ao normal, e eu possa abraçá-la de novo como se nada tivesse acontecido.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

I will start the revolution from my bed.

Como eu havia dito no post anterior, eu já começo hoje a ver uma luz no fim do túnel. Os primeiros passos pra sair do poço foram dados, e eu já estou bem além da metade do caminho.

Decidi escrever um livro e um roteiro. Tô animada com as minhas idéias.

Esses dias eu chorei, obviamente. Têm se tornado normal pra mim chorar (TPM eterna?).
Mas diferente das outras vezes, eu tenho sentido um alívio e força depois do choro.
Eu tô feliz, posso dizer que estou um pouco.

Acredito em um força que me ilumina, seja qual for o nome que queiram dar a ela. Eu ontem me apeguei a isso e pude decidir várias questões na minha cabeça.

As vezes a gente cai, as vezes se levanta. Tô buscando fazer as coisas enquanto tô em pé.

Estou estudando. Vou terminar minha monografia, fazer meu concurso e enfim ser livre pra poder me dedicar de corpo e alma à meus textos.

Eu gosto de estudar a mente humana, sempre li muito sobre isso. Sempre também me disseram que eu seria uma boa psicóloga, é tanta confusão na minha cabeça.

Hoje vou caminhar e fazer ginástica, mas não sei se vou conseguir trabalhar. Mas eu já tô começando a querer.

Escrevi uma cartinha pro meu pai, fala sobre sentimentos. Ainda não entreguei. Acho que talvez ele possa me entender.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Luz no fim do túnel!

"Dois anos e meio atrás, o inferno veio me fazer uma visita"
Andrew Solomon


Peso: 52 kg e meio.
Comendo: Muito bem, obrigada. Minha mãe, anjo que me ajuda nisso.
Dormindo: Demais, a lot, exageradamente.
Choppadas: ZERO.
Chocolate: Duo, da Nestlé.
DVD: House (season 1) e Nip/Tuck (season 2)
Livro: Muitas Vidas, Muitos Mestres (de Brian L. Weiss, M.D.)
Filmes: "Helen" e "Alfie, o Sedutor" (preferindo comédias românticas e dramas)
Palavras Cruzadas.
Tetris.
Caminhadas pelo horto.
Muito pão de queijo.
Agradáveis (e algumas tristes) conversas em família.
Venlift.
Terapia: not.
Ioga e meditação.
Apostila do Banco do Brasil.
Meus inseparáveis brincos de pérolas em cima da escrivaninha.
Número de mensagens recebidas no celular: 3.
Pensamentos: Desramificando, mas ainda perturbam.
Dores no coração: 3 ou 4 por dia.
Quantidade de choro: 2 a cada 7 dias.
Ataques de ansiedade: 4 a cada 7 dias.
Risadas: Algumas, as vezes gargalhadas.
Emoções: Estão voltando a surgir lentamente.
Vontade de desaparecer: 0
Vontade de estar com alguém: 5 de 10.


Resumo da minha vida. Até que ela tem melhorado :D