Eu tenho tido um pouco de bloqueio pra escrever.
Engraçado é que eu tenho tido um bocado de motivos pra isso.
Enfim... só depois do incentivo de uma amiga, decidi desabafar, colocar pra fora tudo que eu sinto. Talvez seja a melhor forma de lidar com o que tenho passado.
Pra falar a verdade, eu nem sei o que dizer exatamente. Eu só sei que estou lutando, lutando contra minha própria mente, contra meus medos e minhas incertezas. E tem sido uma luta desgastante...
Lembro de uma frase que ouvi de uma xará: "Meu emocional está como se eu estivesse com uma ferida de terceiro grau". Putz, achei essa frase muito explicativa do que eu sinto agora.
Minha amiga disse uma vez, em tom de piada, mas bem sério: "Brunna...vc consegue ser mais inconstante do que eu, jamais conheci alguém assim como vc"
Juro que levei na esportiva, ri e achei graça. Mas hoje eu percebo que ela tava só me dizendo um "Acorda, menina! Tem algo de errado com vc!"
Mas não demorou pra eu perceber isso...
Eu estou caindo, mas eu me seguro, com muita força. Talvez seja pelos meus momentos maravilhosos de vida, talvez seja pelos meus amados pais e amigos, ou por tudo que passei pra chegar até aqui...talvez seja por mim, simplesmente pq no meio da minha baixa auto-estima, eu me amo, amo ser quem eu sou (mesmo sem saber quem sou)!
Não, eu não aceito não me curar, não aceito ser afetada pra sempre. Eu luto, lutarei contra isso, eu passo maus bocados todo dia, meu coração dispara, eu perco o senso da realidade, entro em pânico e acho que vou enlouquecer. Mas eu estou aqui, sempre estou. Sempre melhoro, sempre me estabilizo, nem que seja com meu novo amante que começa com R.
"É impossível entender esse tipo de dor - depressão ou qualquer coisa parecida - a não ser que você mesmo a esteja sentindo" disse Ben Stiller.
Realmente, é foda. É um "desespero generalizado", como diria Jim Carrey.
E você se questiona da ironia de atores tão bem sucedidos e que são comediantes estarem sofrendo disso. É, ninguém está ileso de nada nessa vida.
Meu pai, que é a pessoa mais sábia que eu conheço, me disse uma vez: "Quando vc tem uma dor no pé, você esquece de quando vc não tinha e só foca naquilo. Como se a sua vida inteira você tivesse sentido a dor". Sabe, isso se aplica muito no meu caso. Parece que eu tive uma amnésia emocional: eu não consigo me desvecilhar da dor. É como heroína, crack, ou sei lá o que...a dor vicia!
Como a vida muda, como essa doença silenciosa se instala dentro de vc e vc perde totalmente a noção de tudo. Mas não podemos nos deixar engolir. É uma fase, uma merda de fase, mas eu sinto que aprendi muita coisa com ela.
Mas basta! Eu cansei de viver de dor. Eu quero profundamente, com todas as forças do meu ser, recuperar a Brunna que existe lá dentro, por trás desse transtorno e caos em que eu estou temporariamente presa: quero de volta a menina sonhadora e as vezes um pouco louca; que pode ser um pouco ingênua, mas tem um coração de ouro. Que ama e vê beleza nas coisas simples da vida...
Ela não morreu! Eu sinto ela viva dentro de mim. As vezes ela acorda e dorme de novo. Sei que só é preciso acordá-la, mas como?
Eu sei que fui no inferno e voltei, nada pode descrever o que passei nesses últimos meses. Uma dor absoluta, ansiedade, angústia.
Até que um anjo apareceu na minha vida e me resgatou, surgiu na minha vida sem nenhum interesse, a não ser me ajudar. Eu queria dar tudo a ele, mas meu coração está tão vazio...Eu nem sei se tenho mais um coração. Me sinto oca, as vezes.
Minha psiquiatra diz que me entende, mas eu não me entendo. Será que alguém podia me explicar quem eu sou??
Por que eu lutei por tanto tempo e hoje sinto que não quero mais lutar por nada? Então eu procuro lutar por mim. Preciso disso.
Amadurecer é difícil, dói.
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